O termo biofeedback foi originalmente descrito no final dos anos 60, por um grupo de profissionais sediado em Santa Mônica, na Califórnia. Este grupo objetivava estudar profundamente os mecanismos biológicos que controlam a auto-regulação de respostas fisiológicas. A palavra deriva da união de outras três: bios (do grego "vida"), feed (do inglês "alimentar") e back (também do inglês "retorno ou volta"). Em uma tradução literal biofeedback significa retroalimentação da vida. Neste caso, vida assume o significado de um sinal produzido internamente pelo organismo. De uma forma mais simplificada, o biofeedback é um instrumento que usa eletrodos de superfície com o intuito de conceder ao usuário uma visualização de suas próprias alterações orgânicas. Algumas modalidades usuais de biofeedback fazem uso de medidas da corrente elétrica muscular (eletromiografia), da temperatura, da resistência à passagem da corrente elétrica cutânea (reação eletro dérmica), da respiração, da freqüência e coerência cardíaca e da atividade elétrica cerebral (neurofeedback). Paralelamente, técnicas de relaxamento e/ou, meditação pautadas na produção voluntária de emoções positivas são ensinadas ao usuário, de forma que o mesmo, ao realizá-las, perceba a estreita relação entre estados emocionais e as variáveis fisiológicas monitoradas pelo equipamento. Para os mais céticos com relação à eficácia das práticas meditativas, assim como do poder do pensamento na geração de saúde ou doença, este método é surpreendentemente didático, pois explicita essas relações de forma factual e indiscutível, diminuindo em muito o tempo de aquisição de um benéfico controle psicofisiológico. Esta percepção serve como um reforço positivo que facilita o aprendizado do controle das manifestações orgânicas associadas aos estados emocionais. A terapia por biofeedback e neurofeedback tem sido veementemente pesquisada há mais de quarenta anos. As bases de dados científicas ligadas à área da saúde contemplam inúmeras pesquisas que apresentaram resultados positivos, tais como a utilização do biofeedback para redução de estresse em pacientes portadores de hipertensão arterial, para gerenciamento e redução de dores de cabeça crônicas, para treinamento psicomotor, tratamento de usuários de drogas, tratamento de portadores de transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade - TDAH - crianças, adolescentes e adultos, gerenciamento da ansiedade e da depressão, aumentar os processos de criatividade e desempenho, assim como treinamento mental de atletas de alto nível. As informações colhidas durante a sessão são armazenadas, podendo ser comparadas com dados colhidos posteriormente para verificação da evolução do aprendizado. Todas as técnicas associadas ao biofeedback alicerçam-se nas bases da psicologia experimental. Este ramo da psicologia concedeu muita atenção aos mecanismos associados aos condicionamentos, que sabidamente são os deflagradores de nossos hábitos, sejam eles construtivos ou limitantes. Tais condicionamentos eliciam nossas respostas emocionais, e seguem rotas pré-estabelecidas. Quando um mesmo estímulo é percebido pelo cérebro, este constrói uma determinada interpretação, que não é necessariamente a mesma em diferentes indivíduos. Partindo do princípio que a interpretação à sucessão de estímulos tenha sido de medo, surgirão respostas fisiológicas associadas a essa emoção, como alterações respiratórias, tensão muscular, taquicardia, tremores e sudorese. Essas alterações dão origem aos comportamentos de luta ou de esquiva, e ao mesmo tempo reforçam a interpretação concedida aos estímulos iniciais. O biofeedback é uma técnica em que se aprende o controle voluntário de funções fisiológicas das quais as pessoas normalmente não tem consciência, com a finalidade de recuperar, manter ou melhorar sua saúde e/ou seus desempenhos. Controlar voluntariamente as funções fisiológicas é uma forma de diminuir o conteúdo reforçador das interpretações limitantes dos estímulos que atingem nosso sistema nervoso. Um dos primeiros pesquisadores que percebeu a ligação entre emoções e respostas corporais foi Edmund Jacobson que estudou inúmeras variáveis fisiológicas, correlacionando-as com estados emocionais específicos. Jacobson fez várias pesquisas atentando para esta interação. A relação entre emoções e os sistemas fisiológicos é uma via em sentido duplo. Alterar as emoções é alterar também as reações orgânicas associadas a elas, assim como controlar as reações orgânicas é alterar as respostas emocionais. Partindo desse pressuposto foram desenvolvidos os aparelhos de biofeedback. Apesar de alguns puristas posicionarem-se contra o uso de tecnologias de forma conjunta às práticas milenares da meditação, este pode ser um posicionamento um tanto quanto radical. A tecnologia em si é amoral. A ciência em si é amoral. As descobertas científicas que geram novas tecnologias estarão sempre à disposição do ser humano, e este é o responsável pelo direcionamento de suas utilidades, quer seja para o bem ou para o mal. Quando os antigos mestres do yoga desenvolveram suas técnicas psicofísicas eles almejavam entre outras coisas, fazer com que o homem atingisse níveis maiores de interiorização, de consciência e de percepção fenomênica. Para tanto desenvolveram técnicas que estavam ao seu alcance naquelas épocas. Provavelmente, se vivessem nos dias atuais, não nutririam preconceitos em fazer uso de tecnologias que, comprovadamente, diminuem o tempo de aprendizado do controle das emoções negativas e de suas nefastas consequências.
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